A VISITA GUIADA À FAZENDA DA BARRA

Fazenda da Barra: Histórico
    A Fazenda da Barra foi construída entre 1851 e 1859 pelo Ten. Francisco Álvares de Magalhães, que veio de Minas Gerais com sua mãe, a viúva Porcina Luzia de Magalhães e seu irmão, o Cap. Roque Álvares de Magalhães.
    Com a morte do pai, Joaquim Álvares Vieira, em 1851, Francisco, então com apenas 19 anos de idade, herdou pouco menos de sete contos e oitocentos mil réis. Dessa soma constavam seis escravos e as terras "da estrada para cima" (Caminho Novo da Piedade - atual Estrada dos Tropeiros), além de animais de carga. O Ten. Francisco e o Cap. Roque casaram-se com duas das filhas de José Celidôneo Gomes dos Reis, proprietário da Fazenda Formoso, situada à beira do caminho novo (atualmente o Hotel Fazenda Clube dos 200) respectivamente, Marianna e Maria do Carmo. Posteriormente dois dos filhos de Francisco e Marianna (Nicanor e Arlinda) casaram-se com seus primos, Maria Ambrozina e Olimpio, respectivamente, filhos de Roque e Maria do Carmo. Estes casamentos entre primos, arranjados pelos pais, tinham por objetivo fortalecer os laços políticos e econômicos entre as famílias, bem como evitar a fragmentação dos bens nas sucessões hereditárias. Outra filha de Francisco, Clotilde, também casou com um primo, filho de um irmão de Marianna.
    Inicialmente os Magalhães construíram as fazendas da Barra e Catadupa e posteriormente as fazendas Guanabara e do Bonito, para seus filhos.
    Em 1851 o Ten. Magalhães encontrou aqui uma floresta exuberante (Mata Atlântica - milhões de anos de evolução), com árvores de até 40 metros de altura e água em abundância. Havia também muitas pedras brutas que foram trabalhadas para a construção dos muros de arrimo, fundações e colunas das moradias, assim como as edificações de serviço. Os três terreiros de café eram totalmente pavimentados com massa de cal e pedras. O escoamento da água era feito por galerias subterrâneas de pedra. As paredes em volta do porão da frente e as que cercam o jardim interno são feitas totalmente de pedra, com cerca de 60 cm de espessura. As demais paredes dos porões são de adobe, com 20 cm de espessura, e emboçadas com massa de cal. As paredes superiores são feitas de pau a pique e emboçadas com massa de cal. Esse tipo de estrutura é uma trama de caules da palmeira Jussara com ripas da mesma palmeira, amarrados com cipó São João e preenchida com barro. Na estrutura da casa, além das pedras, foram usadas toras de madeira nobre, lavradas muitas vezes à mão e com encaixes perfeitos. As telhas foram feitas manualmente pelos escravos, que usavam fôrmas rústicas as quais, segundo a lenda, seriam as próprias coxas, daí a expressão: "feito nas coxas". O pé direito alto, o grande número de janelas e a presença do jardim interno revelam a preocupação com a iluminação da casa. A presença de vidros do lado externo significava que o proprietário era poderoso, já que o vidro era uma novidade cara, igualmente pode se falar dos adornos do telhado conhecidos na época como eira e beira, daí outra expressão famosa: "sem eira nem beira".
    As roças de café foram abertas nos morros ao redor da Fazenda. No interior das matas da fazenda há sinais das estradas, cavadas à enxada, que serviam de acesso às roças e ao escoamento do café até os tanques de lavagem e posteriormente aos terreiros.
    Após a secagem o café seguia para a casa de máquinas, onde uma bateria de pilões, movida por uma imensa roda d'água, quebrava a casca. A separação da casca era feita com peneiras onde o café é jogado para e alto e "abanado". A remoção da última película dos grãos, chamada papiro, era feita manualmente por escravos, que faziam também a seleção dos grãos em três qualidades, que eram ensacados separadamente e armazenados na tulha. Na Fazenda da Barra a tulha servia também de escritório onde o café era negociado. De lá seguia de mulas até o porto de Mambucaba e a partir de 1877 para Formoso, de onde seguia de trem para Resende, através da Ferrovia Resende Bocaina.
    Em Formoso há ruínas da antiga estação, porém encontra-se em estado lamentável envolta pelo mato.
Durante quarenta anos se produziu uma quantidade considerável de café na região, que fez a riqueza de muitas famílias. Entre 1850 e 1890 a população humana da fazenda de café, contando os escravos e os trabalhadores brancos, que viviam não apenas ao redor dos terreiros, mas também em edificações distantes, chegava à casa das centenas. Havia trabalhadores de todo o tipo, pedreiros, carpinteiros, ferreiros, arrieiros, mestres de obra e até boticários. Quase tudo era produzido nas próprias fazendas. A Fazenda da Barra chegou a possuir em torno de 100 escravos que habitavam os sete lanços de senzalas, dos quais dois ainda se encontram de pé.
    O método agrícola para o preparo da terra era o desmate, com posterior queima e plantio (coivara - método emprestado dos nativos da terra). Os pés de café eram dispostos em linhas de morro acima, para melhor observar o trabalho dos escravos. Esse fato favorecia a erosão do solo pela chuva e a conseqüente diminuição progressiva da produtividade. O solo antes fértil, por estar protegido pela floresta, se esgotava rapidamente e novas roças eram abertas. Esse método de plantio fez desaparecer grande parte da mata virgem. Além do rápido esgotamento do solo, a proibição do tráfico internacional de escravos (Lei Eusébio de Queiróz - 1850) e, posteriormente, a abolição da escravatura, fizeram a ruína da elite cafeeira que, endividada, acabou perdendo suas terras hipotecadas.
    Em 1890, data da morte do ten. Magalhães, havia aqui 337 mil pés de café em um espaço de 324,5 alqueires, dos quais 215 eram ocupados por capoeiras, pastos e cafezais velhos. O ten. Magalhães possuía ainda três casas na cidade, a Fazenda da Entrada com 1200 alqueires, a Fazenda da Posse com 450 alqueires e a Fazenda do Bonito com 400 alqueires, todas para a produção de gado.
    A Fazenda da Barra, após a morte viúva do ten. Magalhães em 1894, foi vendida em 26 de junho do mesmo ano ao Visconde de São Laurindo (Laurindo José de Almeida), proprietário de terras em Bananal.
A casa sede da Fazenda da Barra foi entregue vazia e os bens pessoais de seus donos foram, mais tarde, pulverizados entre os herdeiros.
    Em 1908 fundou-se o Núcleo Colonial Bandeirantes, que dividiu as terras em lotes de 10 alqueires e os vendeu a uma colônia mista de austríacos, poloneses e alemães. Em 1923 a Fazenda da Barra foi adquirida pelo Dr. Salvador Felício dos Santos, que é bisavô da atual proprietária, Sra. Daniela Marques de Oliveira.
    A partir dos anos 20 a Fazenda da Barra passou por diversos microperíodos econômicos. Começando com a pecuária leiteira e de corte, passando pela extração das madeiras nobres, que ainda existiam no alto do Vale do Segredo, e pela produção de lenha e carvão a partir das matas secundárias. No início do século XX os novos colonos plantavam milho, feijão, arroz, café, hortaliças, cana, batata doce, frutíferas e até fumo, além da criação de gado leiteiro e de pequenos animais como galinhas, patos, porcos, etc. Aos poucos, à medida que a fertilidade do solo foi se esgotando gradativamente e as leis ambientais foram se modernizando, as roças foram dando lugar a pastagens e a pecuária leiteira se estabeleceu como única atividade econômica.
    Com a criação do Parque Nacional da Serra da Bocaina em 1971, que engloba grande parte do município de São José do Barreiro, as belezas naturais da região começaram a chamar a atenção, dando inicio a uma demanda turística, inicialmente voltada ao Parque Nacional. O voo livre foi durante muitos anos o grande atrativo da cidade. Hoje esse esporte não atrai tanto. A cidade tenta atrair para as cachoeiras, os picos, as trilhas e as cavalgadas. Redescobre-se a importância do turismo cultural e histórico e algumas propriedades, entre elas a Fazenda da Barra, adaptaram-se para receber esse tipo de turista. A atividade turística em São José do Barreiro é diversificada; envolve aventura, lazer, turismo rural, ecoturismo e turismo histórico cultural. Surge paralelamente à atividade turística a consciência ambiental e patrimonial, ao mesmo tempo em que se fomenta a integração do produtor rural a essa nova atividade, abrindo espaço para as hortaliças, a banana e a fruticultura em geral, o leite e seus derivados, a cachaça e os doces caseiros, que vão abastecer hotéis, pousadas e restaurantes.
O ecossistema local passou de mata primária, extremamente rica e diversificada, à monocultura de café acabando por chegar a uma formação de campos mantidos pelo fogo. O capim gordura, que é africano e veio involuntariamente nos porões dos navios negreiros, se mostrou uma invasora hábil e resistente. Povoou durante décadas os campos da região.  Com o declínio progressivo da fertilidade e aumento da acidez, o solo foi sendo tomado de "pragas" como a samambaia, o sapê, o rabo de burro e a barba de bode (capins nativos típicos de áreas degradadas). Nesses locais os produtores de leite plantam a brachiária (capim também africano), que é muito resistente à acidez e palatável ao gado. Continua-se a praticar a queimada e a transformação de floresta em pasto, mas em escala decrescente.
    A Fazenda da Barra dedica-se atualmente à preservação e a recuperação da Mata Atlântica com o plantio de árvores nativas, ao turismo histórico cultural através da visitação, além de hospedagem, alimentação, ecoturismo, lazer e cavalgadas. Também à apicultura e à produção de hortaliças e frutas para o consumo interno.
    A Fazenda da Barra situa-se no encontro dos rios Segredo e Formoso, na encosta da Serra da Bocaina a 750m de altitude. No Vale do Segredo capoeiras e matas secundárias estão em acelerado processo de recomposição, graças principalmente à existência de um centro budista na Pedra Redonda. Já na Serra do rio Formoso predominam os campos de braquiária, plantados como pastagem para o gado leiteiro.
    Existe na região uma fauna nativa adaptada ao ambiente. Quase uma centena de espécies de aves e variadas espécies de mamíferos, anfíbios, répteis e peixes, além de uma infinidade de invertebrados.
    Há capões de mata secundária com 40 anos ou mais e a tendência, com o desenvolvimento do turismo, é o incremento na regeneração da Mata Atlântica.

Visita Guiada
    São três os focos principais da visita guiada, que dura em torno de uma hora e trinta minutos: histórico, ambiental e arquitetônico.
    A história da fazenda desde a sua fundação até os dias de hoje, passando pelos diversos ciclos econômicos. O período imperial escravocrata do ciclo do café, a passagem de naturalistas e outros viajantes europeus, que deixaram as suas impressões das viagens. A abolição da escravatura e suas consequências para a economia da época e os diversos períodos econômicos que se seguiram até os dias de hoje.
    Os aspectos ambientais e ecológicos, desde a Mata Atlântica original, os métodos de implantação e manutenção dos cafezais, a criação de gado, a extração de madeiras, a carvoaria e os atuais métodos de ocupação da terra. Neste foco abordamos também as atividades exercidas na fazenda atualmente como o tratamento do esgoto, a separação e o destino do lixo, a compostagem, as fossas sépticas, a recuperação e preservação das matas ciliares e das encostas, o plantio de árvores nativas.
    Os aspectos arquitetônicos presentes na estrutura da casa sede, restaurada e preservada em suas características originais, o pé direito alto, o grande número de janelas, o tipo de construção, os materiais utilizados, a disposição e utilização dos cômodos da casa, a decoração, os móveis e utensílios da época colonial e do império.
    A Fazenda da Barra conta com a casa sede preservada em suas características originais, ruínas da tulha, senzalas, tanques de lavagem e terreiros de café, muros de arrimo, além das ruínas do moinho e da usina.    Os guias das visitas são os próprios proprietários ambos com formação superior, biólogos e com grande experiência didática.

Autoria: Paulo Régis de Mattos
Revisão: Daniela Marques de Oliveira

Bibliografia:
Francisco Sodero Toledo
Estrada Real: Caminho Novo da Piedade, 2009
Reynaldo Maia Souto
Centenário de São José do Barreiro
Apontamentos Históricos, Literários e Genealógicos
09 de março de 1959
Marcos José Carrilho
Fazendas de café oitocentistas do Vale do Paraíba junho de 2006
Fadel David Antônio Filho
Velhos Caminhos da Serra da Bocaina: Tropeiros e Cafezais UNESP 2010
Warren Dean  
A Ferro e Fogo
Ricardo Ruiz Almeida
As relações sociais, econômicas e políticas em São José do Barreiro (1850-1900): A aliança das famílias "Álvares de Magalhães" e "Celidônio Gomes dos Reis".

    A Fazenda da Barra está situada na Serra da Bocaina, município de São José do Barreiro, SP, que faz parte do circuito turístico do Vale Histórico.

    Quando vier para a Serra da Bocaina ou para o Vale Histórico não deixe de conhecer a Fazenda da Barra!


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